O gênero Lepidocolaptes compreende 6 espécies de arapaçus, sendo que a maioria habita áreas florestadas, principalmente o dossel, como no caso do arapaçu-de-listras-brancas (Lepidocolaptes albolineatus), mas também ambientes abertos como o arapaçu-de-cerrado (L. angustirostris) e o arapaçu-listrado (L. souleyetti) .
As espécies deste gênero são de tamanho médio dentro da família Dendrocolaptidae e distribuem-se do México até Argentina, apresentando um padrão de plumagem críptica, o que normalmente pode dificultar a sua diagnose(identificação) com base somente em caracteres morfológicos.
O arapaçu-de-listras-brancas mede de 17 a 19 cm de comprimento.Distingue-se de outros arapaçus por ter a cabeça pontilhada, mais acentuadamente em certas subespécies que em outras em contraste com o peito estriado de desenhos característicos.
Habita o estrato médio e as proximidades da copa de florestas úmidas de terra firme, onde é incomum. Vive afastado de membros de sua espécie, juntando-se com freqüência a outras espécies em bandos mistos de copa.
Toda a Amazônia brasileira e nos demais países amazônicos: Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
O arapaçu-de-cerrado tem cerca de 20 centímetros. É inconfundível pelo branco muito vivo da faixa supra-ocular e das partes inferiores. Sua voz caracteriza-se por um chamado melodioso “djü-rüt” e por melancólicos tremulantes assobios, “drüiü”.
Vive no cerrado, na caatinga e em lugares abertos, com árvores esparsas. Este pássaro tem o hábito de subir pelos troncos das árvores, agarrado pelos pés, enquanto enfia o bico em fendas e por baixo das cascas; chegando numa certa altura, voa para baixo e pousa na base de outra árvore, recomeçando a escalar. Vive sozinho ou em casais. Arborícola, movimenta-se com freqüência sob galhos horizontais. Do alto deixa-se cair, de asas e cauda abertas, para recomeçar a subida, ou dirige-se, da copa, em vôo rápido para árvore mais distante. Voa silenciosamente. Revela seu nervosismo sacudindo as asas; quando ameaçado esconde-se por detrás dos troncos com as asas entreabertas. Associa-se, após a quadra reprodutiva, a bandos mistos de pássaros. É encontrado quase sempre aos casais.
No Brasil distribui-se de Marajó ao restante do país extra-amazônico.
O arapaçu-escamado-do-sul mede 19 cm de comprimento. Coloração marrom-ferrugíneo no dorso e asas, cabeça e ventre barrados de marrom com branco e garganta esbranquiçada. Ponta da cauda endurecida e envergada para dentro. Tem o alto da cabeça e nuca escuro a negro, com pintas branco sujo, que vão se transformando em listras até o alto das costas. Sendo que, as listras da cabeça e partes inferiores são de branco sujo a cor de couro.
Substitui o arapaçu-escamado em matas de araucária, matas mesófilas e na Mata Atlântica até 2000m de altitude.
Presente nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo
O arapaçu-listrado mede 17 cm de comprimento.
Ocorre em matas de galeria ao norte de Boa Vista e nas serras ao norte de Roraima, no sopé de de florestas montanas. Possui hábitos semelhantes aos de seus congêneres.
Ocorre no estado de Roraima.
O arapaçu-escamado mede 19 cm de comprimento. Assemelha-se ao arapaçu-escamado-do-sul mas apresenta cabeça mais clara e menos rajada.
Ocorre em matas úmidas, caatingas arbóreas, matas secas e florestas de galeria. Solitário ou aos pares, acompanha bandos mistos e aparentemente não segue correições.
Endêmico do Brasil. Ocorre nas regiões Nordeste e Sul do Brasil.
Ameaçado de extinção
O arapaçu-de-wagler é uma espécie endêmica do Brasil. Presente nos estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais e Piauí
Resolução Nº 96 do CBRO – Incluir Lepidocolaptes wagleri Hellmayr, 1907 na lista principal de aves brasileiras, inserindo-o imediatamente após Lepidocolaptes falcinellus (Cabanis & Heine, 1859). Evidências obtidas em análises morfológicas, biogeográficas (Silva & Straube 1996) e filogenéticas (García-Moreno & Silva 1997) sugerem que L. wagleri deve ser considerado independente de L. squamatus, considerando os conceitos de ‘espécie filogenética’ ou de ‘espécie evolutiva’.